Insuficiência Renal Crônica

A doença renal ocasionada pelo DM, hoje chamada de Doença Renal do Diabetes (DRD), está relacionada ao DM tipo 1 (DM1) e DM tipo 2 (DM2). Pacientes com diagnóstico de DM1, geralmente, apresentam acometimento renal após 5 anos do diagnóstico, enquanto paciente com DM2, que representam a grande maioria dos casos, devem iniciar investigação de DRD desde o seu diagnóstico.

A doença renal crônica (DRC) possui diversas etiologias, sendo o Diabetes Mellitus (DM) a principal causa em países desenvolvidos, como EUA e Europa, e a segunda causa no Brasil. O DM é responsável por causar lesão em diversos órgãos, como retina, cérebro e coração, porém destaque especial damos ao acometimento renal, podendo se apresentar em diversos graus, inclusive, nos estágios terminais, levando à necessidade de hemodiálise ou transplante renal.

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A doença renal ocasionada pelo DM, hoje chamada de Doença Renal do Diabetes (DRD), está relacionada ao DM tipo 1 (DM1) e DM tipo 2 (DM2). Pacientes com diagnóstico de DM1, geralmente, apresentam acometimento renal após 5 anos do diagnóstico, enquanto paciente com DM2, que representam a grande maioria dos casos, devem iniciar investigação de DRD desde o seu diagnóstico. O diagnóstico de DRC é baseado em alguns critérios. No caso da DM, baseamos na perda de proteína (albumina) na urina, sendo valores maiores de 300 mg/g considerados graves, e pela dosagem sérica da creatinina onde, através dessa, utilizamos fórmulas para estimar a função renal, através da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), considerando valores menores de 60 ml/min/ 1,73m2 como portadores de doença em grau moderado.(1,2).

O risco de desenvolvimento da doença renal aumenta com o tempo de ocorrência do DM e associação com outros fatores, como hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, obesidade, perfil lipídico alterado e idade avançada. Porém, nem todos os pacientes diabéticos desenvolvem DRD e, naqueles com comprometimento renal instalado, a progressão da doença é variável. A glicemia elevada crônica é considerada o principal fator de risco para as complicações renais. (3).

Controle da pressão arterial é recomendado em pacientes diabéticos, reduzindo desta forma as complicações cardio – vasculares, assim como o início e progressão da DRD. Os pacientes diabéticos, portadores de hipertensão arterial sistêmica persistente, apresentam maior declínio da função renal do que os pacientes com pressão controlada. Implementação de medidas comportamentais, como cessação do tabagismo, controle de peso e dieta adequada, são partes fundamentais do tratamento.

Apesar de grandes avanços na terapia do DM, ainda encontramos dificuldade no tratamento da doença renal, uma vez esta instalada. Como tratamento mandatório, há necessidade de controle da glicemia e da pressão arterial. Geralmente, objetivamos manter uma hemoglobina glicada < 7,0%, porém esta meta pode variar individualmente (4,5).

Em relação ao tipo de medicamento utilizado para o tratamento do DM, possuímos diversas opções, podendo variar a escolha conforme as doenças associadas e ao grau de acometimento renal, ou seja, alguns medicamentos não são indicados quando se possui uma doença renal avançada, como a metformina e glibenclamida. Porém, novas opções de tratamento, como os inibidores da DPP-4, vem se mostrando uma ótima opção neste perfil de paciente.

Tratamento específico para a doença renal do diabetes ainda não há na prática, porém novas medicações encontram-se em estudo, como o atrasentan, podendo vir a ser uma nova opção terapêutica aos portadores de DRD, em indivíduos com DM2 (6).

Torna-se então mandatório o diagnóstico precoce do DM e, concomitantemente, da DRD, pois este permite o tratamento adequado precoce, evitando as diversas complicações tardias, como a doença renal crônica e sua progressão, assim como o adequado entendimento da doença pelo paciente, garantindo, desta forma, total adesão ao tratamento proposto.

REFERÊNCIAS:

1. www.censo-sbn.org.br

2. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) CKD Work Group. Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Int 2013;3:S1–S150

3. Schieppati A, Pisoni R, Remuzzi G. Pathophysiology and management of chronic kidney disease. In: Primer on Kidney Diseases, Greenberg A (Ed), Elsevier Saunders, Philadelphia 2005. p.444.

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