Espondiloartrites

As espondiloartrites constituem um grupo de doenças inflamatórias da coluna com envolvimento inflamatório preferencial das inserções ligamentares e tendinosas nas interfaces entre o osso subcondral e a cartilagem articular (entesites). Além da coluna lombossacra, pode afetar articulações dos membros inferiores, região de tendão de Aquiles e calcanhar, membros superiores, além de pele, olhos e trato intestinal.

Espondiloartrites

Faz parte deste grupo de doenças a espondilite anquilosante (EA), artrite reativa, artrite psoriásica (A Ps), artrite relacionada a doenças inflamatórias intestinais como o Crohn e a retocolite ulcerativa e as espondiloartrites indiferenciadas. Ocorrem mais em homens. Suas causas são pouco conhecidas, mas mecanismos genéticos (interação familiar), ambientais e infecciosos parecem estar envolvidos, alterando a resposta imunológica. A inflamação da articulação sacroilíaca da bacia ou sacroiliíte é a marca registrada dessas patologias.


ESPONDILITE ANQUILOSANTE (EA):

Se destaca pelo acometimento primário da coluna vertebral com dor (lombalgia) e das articulações sacroilíacas. Podem ocorrer entesites de inserções ligamentares e tendíneas, artrite periférica, geralmente assimétrica, preferencialmente de membros inferiores, como tornozelos, coxofemurais e joelhos, e mais raramente de membros superiores, principalmente ombros. Afeta mais pacientes do sexo masculino, com idade de início antes dos 40 anos. A dor na coluna ou lombalgia é “em peso”, de difícil localização irradiando-se para a região glútea, tem início insidioso, duração maior que 3 meses, rigidez matinal e melhora com exercício e piora com o repouso. Após alguns meses torna-se persistente, com rigidez e sensação dolorosa difusa na região lombar baixa. A dor pode acordar o paciente durante o sono, muitas vezes obrigando-o a executar algum exercício para diminuí-la e com rigidez concomitante, comun nas fases avançadas da doença. Com a evolução do quadro e se não for diagnosticada e tratada de forma adequada, pode haver redução dos movimentos da coluna vertebral levando à sua fusão ou anquilose, daí o nome da doença: espondilite anquilosante.


A ARTRITE REATIVA (ARe):

A inflamação articular ocorre em geral 3 a 6 semanas após um episódio infeccioso do trato genito-urinário ou gastrointestinal, que pode passar desapercebido. Quando presentes, os sintomas gastrointestinas se manifestam sob a forma de diarréia ou disenteria e os sintomas urogenitais no homem são de uretrite com queimação e dor uretral e na mulher, a uretrite, cistite e cervicite tendem a ser silenciosas. Pode haver febre baixa, perda de peso e mal estar vago, além de conjuntivite e aftas na boca. Predomina o envolvimento de grandes articulações de membros inferiores, de forma assimétrica em joelhos, tornozelos e pés com entesopatia, que é uma inflamação localizada na inserção do tendão com o osso levando ao aspecto de “dedos em salsicha” ou dactilite, além da típica dor no calcanhar, decorrente da entesite aquiliana e da entesite de inserção da fascia plantar. A ARe pode ocorrer em surtos definidos ou de forma contínua e progressiva, quando o envolvimento da coluna tende a ser mais grave. Este se caracteriza por lombalgia mal definida, possivelmente decorrente da inflamação dos tendões da coluna e podem evoluir se não diagnosticados e tratados adequadamente com dor e rigidez indistinguível do quadro da EA. A sacroiliíte acomete 20 a 30% dos pacientes com ARe.


ARTRITE PSORIÁSICA (APs):

É uma forma de artrite que se associa a psoríase cutânea, doença das unhas e pele com lesões vermelhas e descamativas. A psoríase isolada afeta 1 a 3% da população e sua associação com artrite em 10 a 42% dos pacientes. A doença articular pode ocorrer depois, antes ou concomitante à doença cutânea, em qualquer idade, com pico entre os 30 e 50 anos de idade e freqüência similar entre homens e mulheres . A APs pode afetar a coluna (forma espondilítica semelhante à espondilite anquilosante) e as articulações periféricas dos membros inferiores e superiores.


ARTROPATIAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS:

As doenças inflamatórias intestinais englobam a doença de Crohn (DC), retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) e mais raramente Doença de Whipple, artrite após by-pass intestinal e a artrite associada a doença celíaca. Podem evoluir com manifestações articulares de caráter inflamatório e envolvimento típico axial. Na maioria dos casos, os sintomas intestinais precedem ou coincidem com as manifestações reumatológicas que podem ser periféricas e/ou na coluna e bacia. Além da artrite também podem ocorrer as entesopatias (aquiles, fascia plantar), as periostites, e o “dedo em salsicha”. O quadro clínico é similar ao da EA leve a moderada. O paciente se queixa de lombalgia de caráter inflamatória, noturna, que melhora aos movimentos e com limitação progressiva dos movimentos da coluna.


TRATAMENTO DAS ESPONDILOARTROARTRITES:

Embora as bases do tratamento das doenças que constituem as espondiloartrites sejam semelhantes, o que vai determinar o esquema terapêutico é a evolução dos diferentes quadros. Daí a necessidade da individualização terapêutica e a abordagem conjunta de especialistas, como o gastroenterologista, o dermatologista e o oftalmologista.

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